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Paranatinga; Mulher tem a vida salva após atendimento médico no mutirão Justiça em Ação
Uma mulher de 44 anos teve a vida literalmente salva graças ao mutirão Justiça em Ação, realizado pela Justiça Comunitária e parceiros, no distrito de Salto da Alegria (200 km de Paranatinga), nessa quarta-feira (6).
Ela conta que chegou ao local acompanhada do marido, no final da tarde, com muita dor, e, logo na entrada, perguntou se o médico ainda estava lá. Ela então foi levada até a sala onde o médico atendia, recebeu o primeiro atendimento, sendo medicada, mas sem resultado. “Eu estava com muita dor, muita dor... Aí ele fez o toque e constatou que era apendicite e falou: ‘Tem que ir pra cidade urgente’. E foi isso o que aconteceu”, relata a mulher.
A mulher acabou deixando o local do mutirão de ambulância, direto para o Hospital Municipal de Paranatinga, onde realizou exames e, posteriormente, foi transferida para realizar cirurgia no Hospital Regional de Rondonópolis.
Jeriel Gonçalves Padovan, clínico geral do Município de Paranatinga, parceiro no mutirão Justiça em Ação, relata como foi o atendimento: “A paciente chegou já com um dia de evolução da dor abdominal. Nós avaliamos e notamos os sinais de alarme - dor abdominal, desconforto – e, através do exame físico, identificamos que poderia ser uma provável apendicite. Ela foi encaminhada pra Paranatinga, onde foram feitos exames e comprovado que realmente era uma apendicite aguda. E a paciente foi encaminhada para Rondonópolis para ser operada”.
O médico explica que a apendicite é uma inflamação do apêndice que evolui muito rapidamente. “Começa com uma dor na boca do estômago e migra para a parte inferior do abdômen, sempre no lado direito. Pode causar náuseas, vômitos, dor intensa e contínua no abdômen, e pode chegar a ter febre e falta de apetite, que foi o que a paciente estava sentindo também”.
O clínico geral pontua ainda que o caso requer atendimento de urgência, pois se agrava com rapidez. “O apêndice se rompe, espalha infecção intra-abdominal, contamina toda a parte intra-abdominal, evoluindo para sepse e ao óbito”.
A comunidade de Salto da Alegria conta com unidade básica de saúde, no entanto, a presença do médico da família não é diária. “Aqui tem a enfermeira muito experiente que, ao identificar um sinal de gravidade, já encaminha pra Paranatinga”, informa Padovan, que se disse satisfeito em fazer sua parte no mutirão da Justiça Comunitária. “É muito satisfatório estar aqui ajudando a comunidade. É algo que eu gosto”.
Na quarta-feira (6), pela manhã, a paciente chegou a ser atendida e medicada na unidade básica, porém, a dor evoluiu, o que a levou a buscar o médico do mutirão. “O atendimento foi muito bom! De 10 a 100 eu dou 100% pra aquele médico porque realmente foi bem atencioso, me examinou superbem, ele foi em cima do problema que eu estava sentindo. Se não fosse ele, eu acho que nem estava aqui. Ele realmente salvou minha vida naquele momento lá”, relata.
A paciente retornou para casa no domingo (10), Dia das Mães, e pôde reencontrar os dois filhos e a mãe, que vive sob seus cuidados. “A vida da gente é uma luta constante e não é fácil. Eu nem queria ir pra cidade, só que a situação estava muito crítica naquele momento. Até fui sozinha porque não tinha como meu marido ir porque minha mãe depende de nós. Mas, graças a Deus deu tudo certo”, afirma.
Para o coordenador estadual da Justiça Comunitária, juiz José Antonio Bezerra Filho, a situação vivida com essa moradora de Salto da Alegria demonstra o comprometimento das instituições parceiras na iniciativa Justiça em Ação. “Eu parto da premissa de que é possível regatar dignidade. Este distrito está a 200 quilômetros de Paranatinga, a 200 quilômetros de Nova Mutum, a 300 quilômetros de Lucas do Rio Verde. Se não tivesse o comprometimento dos parceiros em se dedicar ao próximo, sabe-se lá se essa mulher sobreviveria. Mas isso mostra a responsabilidade que nós temos para com nossos semelhantes. Embora o Poder Judiciário esteja conduzindo essas ações, o mérito é de todos”, declara.
*Esta matéria foi corrigida na segunda-feira (11), às 9h25, após entrevista com a paciente.